Concepção da Família

É comum a tentação das Instituições educativas realizarem um trabalho assistencial, que é a forma de resposta mais imediata para uma necessidade: um trabalho “para” a família e não um trabalho “com” a família, na pretensão de serem capazes de definir quais são suas carências.

O desejo do Centro Educacional é de que a família seja reconhecida como capaz de educar, como sujeito apto para formular as próprias prioridades, sem ser substituída por ninguém no seu papel educativo.

Partimos de um dado objetivo: a criança nunca é um ser isolado, esta sempre inserida em um contexto familiar que é rico em presenças significativas, mesmo sendo desestruturado na maioria dos casos.

A família é um recurso que temos na busca de tentativas originais para responder as necessidades encontradas no relacionamento cotidiano com crianças e famílias. O ponto de partida é olhar para as famílias não como frágeis, desestruturadas, algo que deve receber apoio, ajuda, e sim, pelos recursos que representam, qualquer que seja a situação que se encontrem. E esse movimento comum é a única modalidade na qual a tarefa de educar pode ser desenvolvida, pois, como dissemos educar é algo que não se faz individualmente.

A família sozinha não consegue desempenhar seu papel educativo, porque não consegue administrar o forte desafio da total falta de valores que está ao seu redor. Portanto nosso trabalho consiste em fazer um percurso “junto com as famílias”.

A família constitui um recurso para a sociedade, a partir do momento em que auxilia nas respostas aos problemas e necessidades cotidianas de seus membros. Através da proteção, da promoção, do acolhimento, da integração e das respostas às necessidades dos seus, a família favorece o desenvolvimento da sociedade. É o lugar fundamental da socialização e da educação das novas gerações, já que nas famílias não é transmitida apenas a vida, mas também o seu significado, o conjunto dos seus valores e critérios de comportamentos.

No relacionamento com as famílias e crianças atendidas entendemos que compartilhar a situação de uma pessoa não significa viver sua condição, fato que seria impossível, mas é possível oferecer uma companhia real, o que permite a essa pessoa assumir e penetrar em sua situação, de tal forma que possa encontrar os meios para olhar de frente os aspectos implicados em cada situação.

A acolhida no Centro Educacional representa não apenas uma solução para as crianças, mas se traduz em uma experiência educativa que, restituindo para a mãe e os adultos o sentido de dignidade da pessoa, com o tempo, estimula a dar novamente ao núcleo familiar uma identidade precisa e, então, uma solidez.